sábado, 2 de junho de 2012

O Oleiro e o Vaso – Deus e Jacó

Por José Francisco da Silva

Em 16 de janeiro de 1987 eu estava me apresentando – procedente da Fragata Defensora – ao Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, para compor a Turma 1/87 do Curso de Formação de Sargentos da Marinha (C-FSG). Dentre meus colegas de curso, tinha um cujo nome era Walter.
Certo dia, falando para o Walter sobre Deus e seu grande plano de salvação em Cristo Jesus, no meio da conversa ele me disse: - Francisco, não acho justo Deus ter escolhido Jacó e ter rejeitado a Esaú... referindo-se ao relato bíblico de Gênesis 25:23.

Humanamente falando, Walter tinha razão. Os critérios humanos de escolhas são muito variados e vários aspectos são observados antes de se escolher alguém ou alguma coisa. Se Esaú era o primogênito, porque não foi escolhido? Porém, por não conhecermos de fato a Deus e não nos submetermos a Ele, como meras criaturas que somos, petulantes, temos a ousadia de colocarmos Deus no banco dos réus e julgá-Lo. Por pertencermos a uma raça (humana) decaída, não temos condições de julgar nem nossos pares (... és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas – Rm 2:1), quanto mais ao Criador. E quem disse que Deus precisa de critérios para escolher?

Há uma analogia sobre este assunto no Livro do profeta Jeremias (18:1-6) onde Deus se apresenta como Oleiro e nós, o barro. Em suma o texto nos informa que o oleiro tem total domínio sobre o barro e se este se quebrar sobre a roda durante o processo, ele o molda da forma como lhe convier. O oleiro é soberano sobre o barro assim como Deus é Soberano, não só sobre os homens, como também sobre toda a criação, visível e invisível. Entendemos, portanto, que Deus, em suas escolhas e determinações, é soberano para decidir. Em Rm 9:20 o apóstolo Paulo disse: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim”? Acredito que é uma questão de entendermos Quem é Deus e ao mesmo tempo quem somos nós. Se de fato entendemos, saberemos que Deus simplesmente É, e nós, não somos nada.

Sobre a escolha de Deus quanto a Jacó, veja só o que fala o apóstolo Paulo escrevendo aos romanos: “Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.” (Rm 9:13-16).

Deus escolheu você? Deus escolheu a mim? Qual critério Ele usou? Nenhum! Ele simplesmente usou Sua misericórdia sobre nós e nos salvou. Merecíamos a salvação? Claro que não! Ele olhou para a terra e não viu quem merecesse; todos, pecadores, injustos, cujo destino já estava determinado: a morte, o inferno (Rm 5:12). Mas aprouve a Deus escolher as coisas loucas e vis deste mundo, como está escrito: “... pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1Co 1:27-29).

Não se sinta digno de nada da parte de Deus, pois somos apenas barro. Peça a Deus que te transforme e faça de você um vaso de honra. Entenda que Deus é Soberano e que nós, por causa do pecado, não somos nada. Entenda que a única forma de sairmos desta velha natureza de pecados é sermos transformados por meio da morte, morte de cruz, a cruz de Jesus. Entenda que a cruz é a roda usada por nosso Oleiro, Deus, para nos transformar em verdadeiros filhos. Deus te abençoe!

2 comentários:

  1. Meu comentário é simples e breve sobre o Oleiro e o vaso. É fato que até mesmo para muitos teólogos voltados à Teologia Reformada, este tema das Escrituras causa assombro, e não há como nos desvencilharmos desta verdade; entendo até que a aflição na alma não é senão um sinal de que o temor de Deus está presente em nossos corações, pelo que, não importa se entendemos racionalmente as Escrituras, como Calvino ou Lutero ou Agostinho pensavam, pois tantos não são teólogos mas experimentam pelo contato com as Escrituras e pela comunhão com Deus profundas certezas em seus corações e, independente do que possam dizer, que tudo isso é tão aflitivo, mas em compensação, é um imenso consolo para nós sabermos justamente que iríamos para o inferno e a justiça já estava feita, nos separamos de Deus mas fomos unidos por Cristo Jesus! Obrigado por lembrar texto tão precioso!

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  2. Meu amigo e irmão eterno Losalbert (rsrs).
    Que bom que você esteve aqui. Obrigado pelo seu comentário e deixar - conforme você mesmo disse, este simples e breve comentário. Sim, concordo com você; o conteúdo da Palavra de Deus buscada por quem dela tem sede, tras grandes experiências e profundas certezas. Por Ela se discernir espiritualmente (1Co 2:14), o homem natural não conseguiria entendê-La, mas o espiritual, por meio dela ouve a voz de Deus. Creio que aqueles que não ouvem, verdadeiramente não têm ouvidos para ouvir. Há uma afirmativa clássica nas cartas que João escreveu às sete igrejas: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça...". Fico então com uma questão em meu coração e me auto indago: - Quem tem e quem não tem ouvidos? Eu tenho minhas conclusões, mas é assunto para outro tema. Beijão no coração Carlinhos!

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