Em 16 de janeiro de 1987 eu
estava me apresentando – procedente da Fragata Defensora – ao Centro de
Instrução Almirante Wandenkolk, para compor a Turma 1/87 do Curso de Formação
de Sargentos da Marinha (C-FSG). Dentre meus colegas de curso, tinha um cujo nome era Walter.
Certo dia, falando para o Walter sobre Deus e
seu grande plano de salvação em Cristo Jesus, no meio da conversa ele me disse:
- Francisco, não acho justo Deus ter
escolhido Jacó e ter rejeitado a Esaú... referindo-se ao relato bíblico de Gênesis
25:23.
Humanamente falando, Walter tinha razão. Os
critérios humanos de escolhas são muito variados e vários aspectos são
observados antes de se escolher alguém ou alguma coisa. Se Esaú era o primogênito, porque não foi escolhido? Porém, por não
conhecermos de fato a Deus e não nos submetermos a Ele, como meras criaturas
que somos, petulantes, temos a ousadia de colocarmos Deus no banco dos réus e julgá-Lo.
Por pertencermos a uma raça (humana) decaída, não temos condições de julgar nem
nossos pares (... és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas
– Rm 2:1), quanto mais ao Criador. E quem disse que Deus precisa de critérios
para escolher?
Há uma analogia sobre este
assunto no Livro do profeta Jeremias (18:1-6) onde Deus se apresenta como
Oleiro e nós, o barro. Em suma o texto nos informa que o oleiro tem total
domínio sobre o barro e se este se quebrar sobre a roda durante o processo, ele
o molda da forma como lhe convier. O oleiro é soberano sobre o barro assim como
Deus é Soberano, não só sobre os homens, como também sobre toda a criação,
visível e invisível. Entendemos, portanto, que Deus, em suas escolhas e
determinações, é soberano para decidir. Em Rm 9:20 o apóstolo Paulo disse: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto
perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim”? Acredito que é uma questão de entendermos
Quem é Deus e ao mesmo tempo quem somos nós. Se de fato entendemos, saberemos
que Deus simplesmente É, e nós, não somos nada.
Sobre a escolha de Deus quanto a
Jacó, veja só o que fala o apóstolo Paulo escrevendo aos romanos: “Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. Que diremos,
pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a
Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter
misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem
quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.” (Rm 9:13-16).
Deus escolheu você? Deus escolheu
a mim? Qual critério Ele usou? Nenhum! Ele simplesmente usou Sua misericórdia
sobre nós e nos salvou. Merecíamos a salvação? Claro que não! Ele olhou para a
terra e não viu quem merecesse; todos, pecadores, injustos, cujo destino já
estava determinado: a morte, o inferno (Rm 5:12). Mas aprouve a Deus escolher
as coisas loucas e vis deste mundo, como está escrito: “... pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas
do mundo para
envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do
mundo para envergonhar
as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e
aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se
vanglorie na presença de Deus”
(1Co 1:27-29).
Não se sinta digno de nada da
parte de Deus, pois somos apenas barro. Peça a Deus que te transforme e faça de
você um vaso de honra. Entenda que Deus é Soberano e que nós, por causa do
pecado, não somos nada. Entenda que a única forma de sairmos desta velha
natureza de pecados é sermos transformados por meio da morte, morte de cruz, a
cruz de Jesus. Entenda que a cruz é a roda usada por nosso Oleiro, Deus, para
nos transformar em verdadeiros filhos. Deus te abençoe!
