Não tenho a intenção de fazer uma narração
histórica sobre a vida de Neemias, mas para empreender o que realmente proponho
neste blog – lições para a vida mediante a Palavra de Deus – gostaria de situar
você, no tempo e vida vivida por ele.
Neemias nasceu e cresceu na cidade Babilônica
de Susã; era filho de exilados judeus que foram trazidos por Nabucodonosor em
598 a.C, aproximadamente. Era filho de uma família sacerdotal e em seu tempo,
servia ao rei Artaxerxes I (Longímano). Em sua época, o império persa já havia
dominado o império babilônico, por meio de Ciro I, por volta de 539 a.C.
Neemias era filho de Hacalias. No mês de
quisleu, no vigésimo ano de Artaxerxes, estando ele na cidade de Susã, seu
irmão Hanani veio de Judá. Perguntado sobre como estava o povo que não tinha
sido exilado, Hanani respondeu que “o povo estava em grande miséria e desprezo e os muros de Jerusalém estavam derribados, e as suas portas,
queimadas”
(Ne 1:1-3).
Há muitas pessoas que são conhecidas por sua
tristeza, outras por sua alegria. Neemias era conhecido por ser uma pessoa
alegre (Ne 2:1-2). Mas quando soube dos relatos de Hanani, seu coração se
entristeceu, seu espírito se abateu. Ele poderia simplesmente ignorar aquelas
notícias e continuar vivendo sua vida que, pensando bem, não era ruim; o rei
gostava dele.
Mas não, ele se incomodou sim, se entristeceu
sim e lembrou-se que foi por causa do pecado de seu povo que Deus havia
permitido tudo aquilo.
Então Neemias buscou a Deus, confessou o seu pecado e o de seu povo e em oração
“lembra a Deus” das promessas feitas a Moisés (Ne 1:8-10). Deus ouve sua oração
e o desperta para ser aquele por meio de quem a sorte de seu povo iria mudar e
a cidade e seus muros iriam ser restaurados.
Quantas vezes nós temos chorado pela desgraça
de nosso povo, de nosso irmão, de nossa igreja e nos entristecemos pela ruína
de vidas às quais Deus ama? Vivemos num momento de êxtase e emoções
“espirituais” e nesses momentos pedimos novas experiências a Deus, pedimos
sinais, mas não nos colocamos realmente nas mãos dEle; é fogo de palha que logo se esvai, logo se apaga. Vivemos um amor fingido
quando a Bíblia nos ensina a viver o contrário (1Pd 1:22); não perdoamos aos
nossos devedores mas clamamos perdão a Deus todos os dias (Mt 6:14-15); não
choramos com os que choram nem nos alegramos com os que se alegram (Rm 12:15).
Neemias se sensibilizou com a desgraça de seu povo e deixou-se usar por Deus.
Mas encontrou obstáculos.
Quem foi em todas as
histórias da Bíblia que, usado por Deus, não sofreu perseguição? Quem seria
infantil em pensar que o diabo ficaria de braços cruzados enquanto alguém está
sendo usado por Deus? Todos, absolutamente todos quantos serviram com
fidelidade padeceram perseguições e hoje não é diferente conforme está escrito:
“Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo
Jesus serão perseguidos” (2Tm 3:12).
Com Neemias não foi
diferente. Mesmo tendo cartas do rei Artaxerxes, levantaram-se contra ele
Sambalate, Tobias e Gesém. O fogo que ardia no coração e alma de Neemias não
fora apagado por esses filhos do diabo. Pelo contrário, essa perseguição serviu
para que aprendesse e ensinasse aos seus a trabalhar vigiando, unidos num mesmo
propósito. Ele dividiu o grupo que estava com ele: enquanto uns trabalhavam,
outros vigiavam. Uma divisão que os mantinham unidos, um plano, uma estratégia.
Querido leitor, deixe seu
coração arder em sensibilidade às coisas de Deus. Deixe Deus te usar para a
restauração de vidas, restauração no aspecto para o qual Ele tem te chamado.
Não sei qual é o chamado de Deus para você, mas sei que Ele tem te chamado. Não
desista diante das barreiras que se levantarão, pois com certeza elas virão.
Não se surpreenda se aqueles que se levantarem contra você forem alguém da sua
própria casa, de sua própria igreja. Jesus era judeu e foi perseguido pelos
tais; quem O traiu metia a mão com ele no mesmo prato.
Quero crer que esta leitura
te fez bem e que de alguma forma sua vida e modo de viver e trabalhar para Deus
foram mudados. Que possamos, depois de fazermos a vontade de Deus, termos a
ousadia de dizer como Neemias disse a Deus: “Lembra-te
de mim para meu bem, ó meu Deus, e de tudo quanto fiz...”.
