quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Sensibilidade de Deus no Copeiro do Rei

Por José Francisco da Silva


Não tenho a intenção de fazer uma narração histórica sobre a vida de Neemias, mas para empreender o que realmente proponho neste blog – lições para a vida mediante a Palavra de Deus – gostaria de situar você, no tempo e vida vivida por ele.

Neemias nasceu e cresceu na cidade Babilônica de Susã; era filho de exilados judeus que foram trazidos por Nabucodonosor em 598 a.C, aproximadamente. Era filho de uma família sacerdotal e em seu tempo, servia ao rei Artaxerxes I (Longímano). Em sua época, o império persa já havia dominado o império babilônico, por meio de Ciro I, por volta de 539 a.C.

Neemias era filho de Hacalias. No mês de quisleu, no vigésimo ano de Artaxerxes, estando ele na cidade de Susã, seu irmão Hanani veio de Judá. Perguntado sobre como estava o povo que não tinha sido exilado, Hanani respondeu que “o povo estava em grande miséria e desprezo e os muros de Jerusalém estavam derribados, e as suas portas, queimadas” (Ne 1:1-3).

Há muitas pessoas que são conhecidas por sua tristeza, outras por sua alegria. Neemias era conhecido por ser uma pessoa alegre (Ne 2:1-2). Mas quando soube dos relatos de Hanani, seu coração se entristeceu, seu espírito se abateu. Ele poderia simplesmente ignorar aquelas notícias e continuar vivendo sua vida que, pensando bem, não era ruim; o rei gostava dele.
Mas não, ele se incomodou sim, se entristeceu sim e lembrou-se que foi por causa do pecado de seu povo que Deus havia permitido tudo aquilo.

Então Neemias buscou a Deus, confessou o seu pecado e o de seu povo e em oração “lembra a Deus” das promessas feitas a Moisés (Ne 1:8-10). Deus ouve sua oração e o desperta para ser aquele por meio de quem a sorte de seu povo iria mudar e a cidade e seus muros iriam ser restaurados.

Quantas vezes nós temos chorado pela desgraça de nosso povo, de nosso irmão, de nossa igreja e nos entristecemos pela ruína de vidas às quais Deus ama? Vivemos num momento de êxtase e emoções “espirituais” e nesses momentos pedimos novas experiências a Deus, pedimos sinais, mas não nos colocamos realmente nas mãos dEle; é fogo de palha que logo se esvai, logo se apaga. Vivemos um amor fingido quando a Bíblia nos ensina a viver o contrário (1Pd 1:22); não perdoamos aos nossos devedores mas clamamos perdão a Deus todos os dias (Mt 6:14-15); não choramos com os que choram nem nos alegramos com os que se alegram (Rm 12:15). Neemias se sensibilizou com a desgraça de seu povo e deixou-se usar por Deus. Mas encontrou obstáculos.

Quem foi em todas as histórias da Bíblia que, usado por Deus, não sofreu perseguição? Quem seria infantil em pensar que o diabo ficaria de braços cruzados enquanto alguém está sendo usado por Deus? Todos, absolutamente todos quantos serviram com fidelidade padeceram perseguições e hoje não é diferente conforme está escrito: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3:12).

Com Neemias não foi diferente. Mesmo tendo cartas do rei Artaxerxes, levantaram-se contra ele Sambalate, Tobias e Gesém. O fogo que ardia no coração e alma de Neemias não fora apagado por esses filhos do diabo. Pelo contrário, essa perseguição serviu para que aprendesse e ensinasse aos seus a trabalhar vigiando, unidos num mesmo propósito. Ele dividiu o grupo que estava com ele: enquanto uns trabalhavam, outros vigiavam. Uma divisão que os mantinham unidos, um plano, uma estratégia.

Querido leitor, deixe seu coração arder em sensibilidade às coisas de Deus. Deixe Deus te usar para a restauração de vidas, restauração no aspecto para o qual Ele tem te chamado. Não sei qual é o chamado de Deus para você, mas sei que Ele tem te chamado. Não desista diante das barreiras que se levantarão, pois com certeza elas virão. Não se surpreenda se aqueles que se levantarem contra você forem alguém da sua própria casa, de sua própria igreja. Jesus era judeu e foi perseguido pelos tais; quem O traiu metia a mão com ele no mesmo prato.

Quero crer que esta leitura te fez bem e que de alguma forma sua vida e modo de viver e trabalhar para Deus foram mudados. Que possamos, depois de fazermos a vontade de Deus, termos a ousadia de dizer como Neemias disse a Deus: “Lembra-te de mim para meu bem, ó meu Deus, e de tudo quanto fiz...”.